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Edição das 12h56min de 6 de março de 2025
Esse artigo é sobre a ideologia comunista. Caso não procure por isso, verifique a página de desambiguação: Comunismo (desambiguação)
Introdução
O comunismo é um movimento político anticapitalista que luta pelo fim da exploração do homem pelo homem, utilizando a ciência imortal do proletariado, o marxismo, enquanto ferramenta de análise.
O comunismo entende que:
- Toda sociedade humana desde o neolítico é classista, ou seja, separada em classes sociais, definidas pela sua relação com os meios de produção;
- O sistema econômico dominante no mundo hoje é o capitalismo, em que o proletariado é explorado pela burguesia;
- O proletariado deve se organizar enquanto classe para fazer uma revolução, que deverá socializar os meios de produção e consequentemente acabar com a exploração do homem pelo homem;
- Quando o capitalismo for superado no mundo, e todas as pessoas tiverem a mesma relação com os meios de produção, não haverá mais uso para o estado, que definhará. Além disso, a sociedade de classes será finalmente superada.
O movimento comunista abriga diversas vertentes. Entre eles:
- Comunismo de esquerda,
- Trotskismo,
- Marxismo-Leninismo,
- Marxismo-Leninismo-Maoismo,
- Anarco-comunismo.
Apesar do nome, o eurocomunismo é considerado uma vertente reformista, e portanto, que saiu do movimento comunista.
História e terminologia
O comunismo surge, no século XIX, enquanto movimento político que se utiliza do marxismo como seu método de análise. O Marxismo, Em primeira instância, buscava entender, cientificamente, o motivo e os mecanismos pela qual o capitalismo se reproduzia. Seus criadores, Karl Marx e Friederich Engels, partiam da filosofia hegeliana e do materialismo de Feuerbach, e portanto compreendiam que ideias não são capazes de mudar a realidade. Com esse entendimento, buscavam criar uma ideologia que servisse como ferramenta para que a classe trabalhadora organizada fosse capaz de alterar suas próprias condições materiais. O comunismo, o "movimento real dos trabalhadores", se utilizava do marxismo, a "ciência imortal do proletariado", para alcançar hegemonia política.
No contexto de sua criação, o movimento comunista compunha o movimento socialista internacional. No movimento socialista internacional, haviam o que hoje entendemos como anarquistas (como Proudhon), social-democratas (como Ferdinand Lassalle), e comunistas (como Marx e Engels). Com exceção de Marx e Engels, o campo socialista não tinha qualquer ferramenta de análise coeso, buscando apenas tornar a realidade mais próximo de um ideal "justo", e por serem idealistas, Marx os chamou de "socialistas utópicos", em oposição a vertente capitaneada por Marx e Engels, que buscavam a consolidação de um "socialismo científico".
Além disso, Marx também utilizava "socialismo" e "comunismo" enquanto fases de desenvolvimento sociológico, usando ambos de forma intercambiável por grande parte de sua bibliografia. Lenin, ao interpretar as obras marxistas, chama de "socialismo" o estágio inferior do "comunismo", enquanto também utiliza a palavra "comunismo" para se referir ao movimento político que utilizava o marxismo. Além disso, utilizava "socialismo" para se referir ao "movimento socialista internacional", em que agrupava anarquistas, sindicalistas, reformistas e comunistas. A partir da revolução socialista de outubro de 1917, capitaneada pelos Bolcheviques na Rússia, o comunismo se torna a maior corrente política dentro da esquerda revolucionária, e muitos partidos abandonam o termo "socialismo", se autodeclarando "comunistas não revolucionários". Exemplo disso é o Partido Socialista dos trabalhadores do Chile, que após a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 1922, foi renomeado para "Partido Comunista do Chile", apesar de buscarem o socialismo através de reformas no capitalismo (o que seria considerado, até 1917, como sendo um "socialismo utópico", ou simplesmente "socialista").
Com o fim da União Soviética, a utilização de "socialismo" e "comunismo" se reverteu a uma situação similar a antes da criação URSS: os revolucionários continuaram a se chamar de comunistas, enquanto reformistas passaram a se chamar de socialistas. No Brasil, assim como em outros países, os Trotskistas abandonaram o termo "comunismo" com o objetivo de se afastar da União Soviética, que era vista como um projeto fracassado. Passaram então a se autoproclamar como socialistas, a exemplo do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e o Partido Socialismo e Liberdade(PSOL).