Ativa o menu
Alternar menu pessoal
Não autenticado(a)
Your IP address will be publicly visible if you make any edits.

Governo Bolsonaro: mudanças entre as edições

Da ProleWiki, a enciclopédia proletária
Expansão do artigo
Ferreira (discussão | contribs)
Adicionei 13 fontes a página e contribui para a descrição dos eventos mais importantes de 2019 e 2022. Também melhorei a escrita geral da página, e mudei algumas formatações para que aderissem as convenções editoriais.
Linha 1: Linha 1:
O '''governo Bolsonaro''' é a [[Governo burguês|gerência burguesa]] do [[República Federativa do Brasil|Brasil]] atuante de 2019 até 2023, chefiado principalmente por [[Jair Bolsonaro]] e [[Paulo Guedes]], com conluio dos [[Exército Brasileiro|militares]]. O governo Bolsonaro é uma continuidade do [[Governo Temer (2016–2018)|governo Temer]],<ref>{{Referência web|newspaper=Poder360|title=“Bolsonaro deu sequência ao que fazíamos”, diz Temer|date=2022-01-11|url=https://www.poder360.com.br/brasil/bolsonaro-deu-sequencia-ao-que-faziamos-diz-temer/}}</ref> mantendo a [[Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos|política de teto de gastos]], aprofundando medidas de ataque aos diretos dos trabalhadores e [[Privatização|privatizações]] de [[Empresa estatal|empresas estatais]]. A gestão tem destaque com as medidas negacionistas e falhas com relação à pandemia da COVID-19, que incluía boicote à vacinas, descaso com as mortes e promoção de métodos ineficazes contra a doença.  
O '''governo Bolsonaro''' é a [[Governo burguês|gerência burguesa]] do [[República Federativa do Brasil|Brasil]] atuante de 2019 até 2023, chefiado principalmente por [[Jair Bolsonaro]] e [[Paulo Guedes]], com conluio dos [[Exército Brasileiro|militares]]. A gestão tem destaque com as medidas negacionistas e falhas com relação à pandemia da COVID-19, que incluía boicote à vacinas, descaso com as mortes e promoção de métodos ineficazes contra a doença. Apesar da retórica neofascista de Bolsonaro, seu governo foi uma continuidade do [[Governo Temer (2016–2018)|governo Temer]],<ref>{{Referência web|newspaper=Poder360|title=“Bolsonaro deu sequência ao que fazíamos”, diz Temer|date=2022-01-11|url=https://www.poder360.com.br/brasil/bolsonaro-deu-sequencia-ao-que-faziamos-diz-temer/}}</ref> mantendo a [[Política de austeridade no Brasil|política de teto de gastos]] e a [[Reforma trabalhista no Brasil em 2017|reforma trabalhista]], enquanto aprovava a [[Reforma da previdência no Brasil em 2019|reforma da previdência]] que retirou diversos direitos da população. O aprofundamento das privatizações e do subfinanciamento dos órgãos públicos, assim como os constantes ataques aos diretos dos trabalhadores, foram características fundamentais de seu governo, que manteve até o fim a austeridade [[neoliberal]] defendida de forma homogênea pelo [[burguesia]] dependente brasileira.  
 
Outra característica importante do governo Bolsonaro foi a criação e normalização do "[[orçamento secreto]]", método de compra de votos de parlamentares através de emendas parlamentares. Tal instituição, até o momento, se mantém como ferramenta de compra de votos, apesar de ter sido limitada e constitucionalizada.


== 2019 ==
== 2019 ==
O primeiro ano de seu governo contou com ministros extremamente liberais e que, dando continuidade à agenda liberal que seguiu do governo anterior, fizeram descaso com políticas públicas e promoveram sucateamento dos serviços estatais. De sua equipe, têm destaque:
O primeiro ano de seu governo contou com ministros neoliberais que, dando continuidade à agenda neoliberal que seguiu do governo anterior, fizeram descaso com políticas públicas e promoveram o sucateamento das instituições de estado e das empresas estatais.<ref>{{Referência web|newspaper=Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES)|title=Orçamento da Educação sofre corte de R$ 5,83 bilhões|url=https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/orcamento-da-educacao-sofre-corte-de-r-5-83-bilhoes1|retrieved=07/02/2025}}</ref> De sua equipe, têm destaque:


* Paulo Guedes, na Economia - responsável por privatizações e declarações preconceituosas sobre a classe trabalhadora<ref>https://www.cnnbrasil.com.br/business/portos-eletrobras-e-correios-veja-destaques-da-agenda-de-privatizacoes-em-2022/</ref>
* Paulo Guedes, na Economia - responsável por privatizações e declarações preconceituosas sobre a classe trabalhadora;<ref>https://www.cnnbrasil.com.br/business/portos-eletrobras-e-correios-veja-destaques-da-agenda-de-privatizacoes-em-2022/</ref>
* Abraham Weintraub, na Educação - anunciou cortes de verbas para universidades públicas<ref>https://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2019/04/30/mec-cortara-verba-de-universidade-por-balburdia-e-ja-mira-unb-uff-e-ufba.htm?cmpid=copiaecola</ref>, incluindo bolsas de mestrados e doutorados. Também foi um grande crítico do sistema de ensino brasileiro, alegando informações falsas sobre o mesmo.<ref>https://educacao.uol.com.br/noticias/2019/11/22/weintraub-ha-plantacoes-extensivas-de-maconha-em-universidades-federais.htm?cmpid=copiaecola</ref>
* Abraham Weintraub, na Educação - anunciou cortes de verbas para universidades públicas,<ref>https://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2019/04/30/mec-cortara-verba-de-universidade-por-balburdia-e-ja-mira-unb-uff-e-ufba.htm?cmpid=copiaecola</ref> incluindo bolsas de mestrados e doutorados. Também foi um grande crítico do sistema de ensino brasileiro, alegando informações falsas sobre o mesmo;<ref>https://educacao.uol.com.br/noticias/2019/11/22/weintraub-ha-plantacoes-extensivas-de-maconha-em-universidades-federais.htm?cmpid=copiaecola</ref>
* Roberto Alvim, na Secretaria da Cultura - além de uma clara apologia ao nazismo ao imitar uma propaganda de Joseph Goebbels, foi um grande promotor do ódio à cultura brasileira em suas falas, que incluíam ataques a artistas nacionais<ref>https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2019/11/07/interna_politica,1099323/roberto-alvim-que-atacou-fernanda-montenegro-e-nomeado-novo-secretar.shtml</ref>, teorias da conspiração que afirmavam que os Beatles surgiram para implantar o comunismo<ref>https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/12/rock-incentiva-industria-do-aborto-diz-novo-presidente-da-funarte.shtml#erramos</ref> e crenças no terraplanismo.<ref>https://g1.globo.com/globonews/globonews-em-pauta/video/novo-presidente-da-funarte-que-relacionou-rock-a-satanismo-acredita-que-a-terra-e-plana-8137477.ghtml</ref>
* Roberto Alvim, na Secretaria da Cultura - além de uma clara apologia ao nazismo ao imitar uma propaganda de Joseph Goebbels, foi um grande promotor do ódio à cultura brasileira em suas falas, que incluíam ataques a artistas nacionais,<ref>https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2019/11/07/interna_politica,1099323/roberto-alvim-que-atacou-fernanda-montenegro-e-nomeado-novo-secretar.shtml</ref> teorias da conspiração que afirmavam que os Beatles surgiram para implantar o comunismo<ref>https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/12/rock-incentiva-industria-do-aborto-diz-novo-presidente-da-funarte.shtml#erramos</ref> e crenças no terraplanismo;<ref>https://g1.globo.com/globonews/globonews-em-pauta/video/novo-presidente-da-funarte-que-relacionou-rock-a-satanismo-acredita-que-a-terra-e-plana-8137477.ghtml</ref>
* Ricardo Salles, no Meio Ambiente - desmontou órgãos de fiscalização ambiental<ref>https://oglobo.globo.com/brasil/exoneracao-de-superintendentes-do-ibama-uma-questao-de-alinhamento-com-novo-governo-diz-ministro-23492163</ref>, sendo acusado de crimes ambientais<ref>https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2021/06/23/ricardo-salles-entenda-operacao-contra-exportacao-ilegal-de-madeira-que-mira-ministro-do-meio-ambiente.ghtml</ref> e contribuindo para as maiores queimadas na Amazônia.<ref>https://oglobo.globo.com/brasil/inpe-mostra-maior-numero-de-queimadas-na-amazonia-desde-2010-contradiz-video-divulgado-por-salles-mourao-1-24633756</ref>
* Ricardo Salles, no Meio Ambiente - desmontou órgãos de fiscalização ambiental,<ref>https://oglobo.globo.com/brasil/exoneracao-de-superintendentes-do-ibama-uma-questao-de-alinhamento-com-novo-governo-diz-ministro-23492163</ref> sendo acusado de crimes ambientais<ref>https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2021/06/23/ricardo-salles-entenda-operacao-contra-exportacao-ilegal-de-madeira-que-mira-ministro-do-meio-ambiente.ghtml</ref> e contribuindo para as maiores queimadas na Amazônia;<ref>https://oglobo.globo.com/brasil/inpe-mostra-maior-numero-de-queimadas-na-amazonia-desde-2010-contradiz-video-divulgado-por-salles-mourao-1-24633756</ref>
* Damares Alves, na pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos - pastora ultraconservadora, é responsável por divulgação de inúmeras informações falsas, declarações extremamente preconceituosas e ainda agiu na perseguição de uma criança, vítima de um estupro, que iria abortar.<ref>https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/09/ministra-damares-alves-agiu-para-impedir-aborto-de-crianca-de-10-anos.shtml</ref>
* Damares Alves, na pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos - pastora ultraconservadora, é responsável por divulgação de inúmeras informações falsas, declarações extremamente preconceituosas e ainda agiu na perseguição de uma criança, vítima de um estupro, que iria abortar;<ref>https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/09/ministra-damares-alves-agiu-para-impedir-aborto-de-crianca-de-10-anos.shtml</ref>
 
O ano foi marcado pela reforma da previdência, que retirou dos trabalhadores diversos direitos referentes a aposentadoria,<ref>{{Referência web|author=Juca Guimarães|newspaper=Brasil de Fato|title=Reforma da Previdência é aprovada e aposentadoria fica mais difícil para trabalhador|url=https://www.brasildefato.com.br/2019/10/22/reforma-da-previdencia-e-aprovada-e-aposentadoria-fica-mais-dificil-para-trabalhador|retrieved=07/02/2025}}</ref> assim como pela flexibilização e extensão do [[MEI|Micro Empreendedor Individual]] (MEI),<ref>{{Referência web|newspaper=MarketUP|title=Mudanças para MEIs em 2019|url=https://marketup.com/blog/mudancas-mei-2019/|retrieved=07/02/2025}}</ref> que apesar de ter sido propagandeada pela mídia como "facilitação do empreendedorismo", foi na verdade a criação de uma alternativa de contratação à CLT, utilizada pela burguesia afim de evitar encargos trabalhistas. A consolidação do MEI nos anos subsequentes foi vital para por em prática as flexibilizações permitidas pela reforma trabalhista, mas ainda não reguladas.
Apesar dos absurdos feitos por sua equipe, o governo ainda mostraria seu pior lado nos anos seguintes, tendo em vista que 2019 foi um ano apenas de continuidade ao projeto neoliberal de 2016 - 2018.


== 2020 ==
== 2020 ==
A gestão de Bolsonaro em 2020 foi marcada por sua postura em relação à pandemia: o então presidente minimizou a doença, estimulou o contágio<ref>https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-diz-que-contaminacao-e-ate-mais-eficaz-que-vacina-contra-covid/</ref>, promoveu métodos ineficazes de tratamento da doença<ref>https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55747043</ref> e, por isso, ficou responsável por mais de 600 mil mortes decorrentes da doença. Sua campanha "Brasil não pode parar", que reprimia o isolamento social, é um exemplo da falha política liberal de seu mandato.
A gestão de Bolsonaro em 2020 foi marcada por sua postura em relação à pandemia: o então presidente minimizou a doença, estimulou o contágio,<ref>https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-diz-que-contaminacao-e-ate-mais-eficaz-que-vacina-contra-covid/</ref> promoveu métodos ineficazes de tratamento da doença<ref>https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55747043</ref> e, por isso, foi responsável por mais de 600 mil mortes decorrentes da doença. Sua campanha "Brasil não pode parar", que reprimia o isolamento social, é um exemplo da falha política liberal de seu mandato.


Bolsonaro, em posição negacionista, fez sua campanha contra as vacinas quando afirmava que o Brasil "não seria cobaia"<ref>https://www.poder360.com.br/coronavirus/bolsonaro-diz-que-brasil-nao-sera-cobaia-da-vacina-chinesa/</ref> da vacina chinesa, que todo e qualquer método de imunização será descartado<ref>https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/10/21/bolsonaro-cancela-acordo-por-coronavac-nao-abro-mao-da-minha-autoridade.htm</ref> etc.
Bolsonaro, em posição negacionista, fez sua campanha contra as vacinas quando afirmava que o Brasil "não seria cobaia" da vacina chinesa,<ref>https://www.poder360.com.br/coronavirus/bolsonaro-diz-que-brasil-nao-sera-cobaia-da-vacina-chinesa/</ref> postura abertamente sinofóbica e anti comunista, e reforçando constantemente que todo e qualquer método de imunização seria descartado.<ref>https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/10/21/bolsonaro-cancela-acordo-por-coronavac-nao-abro-mao-da-minha-autoridade.htm</ref>


Quando foi oferecida a oportunidade do interesse de compra de vacinas pela Pfizer, Bolsonaro ignorou todas elas; foram mais de 80 e-mails da empresa descartados pelo presidente<ref>https://cultura.uol.com.br/noticias/25780_pfizer-foi-ignorada-pelo-governo-federal-81-vezes-expoe-randolfe-rodrigues-a-cpi.html</ref>. As alegações de seus apoiadores, de que a demora foi por falta de aprovação da Anvisa, não se sustenta quando quis se divulgar nomes de técnicos do órgão que aprovaram uso da vacina para crianças.<ref>https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/12/bolsonaro-quer-divulgar-nomes-de-tecnicos-da-anvisa-que-aprovaram-uso-da-vacina-da-pfizer-em-criancas-ckxacpozi000x01886u9o6mf5.html</ref>
Bolsonaro também ignorou múltiplas oportunidades de comprar vacinas pela Pfizer; foram mais de 100 e-mails da empresa descartados pelo presidente.<ref>{{Referência web|author=Talita de Souza|newspaper=Correio Braziliense|title=Lista de e-mails da Pfizer ignorados pelo governo aumenta: são 101 tentativas|url=https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/06/4932143-lista-de-e-mails-da-pfizer-ignorados-pelo-governo-aumenta-sao-101-tentativas.html|retrieved=07/02/2025}}</ref> As alegações de seus apoiadores, de que a demora foi por falta de aprovação da Anvisa, não se sustenta na realidade, sendo divulgados os nomes de técnicos do órgão que aprovaram uso da vacina para crianças.<ref>https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/12/bolsonaro-quer-divulgar-nomes-de-tecnicos-da-anvisa-que-aprovaram-uso-da-vacina-da-pfizer-em-criancas-ckxacpozi000x01886u9o6mf5.html</ref>


Em relação ao Ministério da Saúde, o cargo foi ocupado por vários ministros; a troca acontecia quando havia promoção de alguma política pública eficaz contra a doença, que Bolsonaro discordava.
Em relação ao Ministério da Saúde, o cargo foi ocupado por quatro ministros distintos, ficando vago por duas semanas no decorrer do governo, mesmo o Brasil estando em meio a uma pandemia global; a troca dos ministros acontecia pois os indicados ao cargo, na sua competência de médicos, defendiam métodos eficazes na contenção do vírus, contudo, Bolsonaro alegava que os médicos "não entendiam a questão do emprego",<ref>{{Referência web|author=Erick Gimenes|newspaper=Brasil de Fato|title=Bolsonaro diz que demitiu Mandetta porque ele não entendeu a "questão do emprego"|url=https://www.brasildefato.com.br/2020/04/16/bolsonaro-diz-que-demitiu-mandetta-porque-ele-nao-entendeu-a-questao-do-emprego|retrieved=07/02/2025}}</ref> assumindo uma posição anti ciência e anti vacina. Tais demissões foram divulgadas na mídia como "divergências técnicas no combate a pandemia",<ref>{{Referência web|author=Anaís Motta|newspaper=Uol Noticias|title=Mandetta, Teich, Pazuello e Queiroga: os 4 ministros da Saúde da pandemia|date=|url=https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2021/03/15/mandetta-teich-pazuello-e-queiroga-os-4-ministros-da-saude-da-pandemia.htm|retrieved=07/02/2025}}</ref> apesar do aberto negacionismo de Bolsonaro.


== 2021 ==
== 2021 ==
Em 2021, os projetos políticos não alteraram e o presidente ainda fez declarações ainda mais absurdas nos auges da pandemia.<ref>https://www.poder360.com.br/coronavirus/2-anos-de-covid-relembre-30-frases-de-bolsonaro-sobre-pandemia/</ref>
Em 2021, os projetos políticos não se alteraram e o presidente fez declarações ainda mais absurdas, no auge da pandemia.<ref>https://www.poder360.com.br/coronavirus/2-anos-de-covid-relembre-30-frases-de-bolsonaro-sobre-pandemia/</ref> A intensificação de seu projeto neoliberal, assim como o fracasso em oferecer qualquer resposta a pandemia, levou a recorde de desemprego, uma crise econômica, enfraquecimento e proletarização da [[Pequena burguesia|classe média]],<ref>{{Referência web|newspaper=World Bank Group|title=Crise decorrente da pandemia acelera o declínio da classe média na América Latina e no Caribe|url=https://www.worldbank.org/pt/news/press-release/2021/06/24/pandemic-crisis-fuels-decline-of-middle-class-LAC|retrieved=07/02/2025}}</ref> crescimento da uberização<ref>{{Referência web|newspaper=Portal de noticias g1|title=Número de trabalhadores em aplicativos de entrega de mercadorias cresce quase 1000% em 5 anos, aponta Ipea|url=https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/10/08/numero-de-trabalhadores-em-aplicativos-de-entrega-de-mercadorias-cresce-quase-1000percent-em-5-anos-aponta-ipea.ghtml|retrieved=07/02/2025}}</ref> e por fim, a maior taxa de emigração do país em tempos recentes.<ref>{{Referência web|author=Fernando Nakagawa|newspaper=CNN Brasil|title=Com crise e desemprego, mais de 130 mil brasileiros deixaram o Brasil em 2021|url=https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/com-crise-e-desemprego-mais-de-130-mil-brasileiros-deixaram-o-brasil-em-2021/|retrieved=07/02/2025}}</ref> Nenhum destes processos teve inicio em 2021, mas o aprofundamento da crise neoliberal foi particularmente forte no ano.


== 2022 ==
== 2022 ==
O último ano de seu mandato foi marcado por suas campanhas políticas baseadas em fake news, na ascensão do fenômeno de extrema-direita do bolsonarismo, em ataques às instituições democráticas<ref>https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/08/5026493-bolsonaro-ataca-stf-e-desqualifica-carta-em-defesa-da-democracia.html</ref> e em interesses no centrão<ref>https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaro-admite-ter-entregado-parte-do-poder-ao-centrao-165453208.html</ref>, ato que repudiou em sua campanha de 2018.<ref>https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/04/4999985-video-mostra-promessa-de-bolsonaro-de-que-nao-negociaria-cargos.html</ref>
O último ano de seu mandato foi marcado por campanhas políticas baseadas em fake news, na ascensão do fenômeno de extrema-direita do bolsonarismo, em ataques às instituições democráticas<ref>https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/08/5026493-bolsonaro-ataca-stf-e-desqualifica-carta-em-defesa-da-democracia.html</ref> e em seu total rendimento aos interesses do centrão,<ref>https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaro-admite-ter-entregado-parte-do-poder-ao-centrao-165453208.html</ref> ato que repudiou em sua campanha de 2018.<ref>https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/04/4999985-video-mostra-promessa-de-bolsonaro-de-que-nao-negociaria-cargos.html</ref>
 
O constante sucateamento das instituições desde o inicio de seu mandato também causou uma crise no Censo de 2022,<ref>{{Referência web|newspaper=ICL Notícias|title=Prévia do censo do IBGE de 2022 expõe ‘tragédia absoluta’ da pesquisa e sucateamento do órgão durante gestão de Bolsonaro, diz ex-presidente do instituto|url=https://iclnoticias.com.br/economia/previa-censo-do-ibge-sucateamento-do-orgao/|retrieved=07/02/2025}}</ref> feito pelo IBGE, atingindo um percentual de erro em torno de 8,3%<ref>{{Referência web|author=|newspaper=ICL - Instituto Conhecimento Liberta|title=Prévia do censo do IBGE de 2022 expõe ‘tragédia absoluta’ da pesquisa e sucateamento do órgão durante gestão de Bolsonaro, diz ex-presidente do instituto|url=https://iclnoticias.com.br/economia/previa-censo-do-ibge-sucateamento-do-orgao/|retrieved=07/02/2025}}</ref> e causando dano severo na capacidade de planejamento do estado por todo o restante da década.


Mesmo contribuindo para uma eleição injusta, Bolsonaro perdeu nas urnas e até agora não reconheceu a derrota.
Mesmo ao utilizar a máquina estatal para diminuir temporariamente o preço dos combustíveis,<ref>{{Referência web|author=Daniel Pereira|newspaper=Veja|title=As medidas desesperadas de Bolsonaro diante da alta dos combustíveis|url=https://veja.abril.com.br/politica/as-medidas-desesperadas-de-bolsonaro-para-domar-o-preco-dos-combustiveis|retrieved=07/02/2025}}</ref> contribuindo para uma campanha injusta, Bolsonaro perdeu nas urnas e até o momento não reconheceu a derrota.<ref>{{Referência web|newspaper=Veja|title=Bolsonaro não reconhece derrota e sai do poder pela porta dos fundos|url=https://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-nao-reconhece-derrota-e-sai-do-poder-pela-porta-dos-fundos|retrieved=07/02/2025}}</ref>


==Crimes==
==Crimes==

Edição das 04h27min de 7 de fevereiro de 2025

O governo Bolsonaro é a gerência burguesa do Brasil atuante de 2019 até 2023, chefiado principalmente por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, com conluio dos militares. A gestão tem destaque com as medidas negacionistas e falhas com relação à pandemia da COVID-19, que incluía boicote à vacinas, descaso com as mortes e promoção de métodos ineficazes contra a doença. Apesar da retórica neofascista de Bolsonaro, seu governo foi uma continuidade do governo Temer,[1] mantendo a política de teto de gastos e a reforma trabalhista, enquanto aprovava a reforma da previdência que retirou diversos direitos da população. O aprofundamento das privatizações e do subfinanciamento dos órgãos públicos, assim como os constantes ataques aos diretos dos trabalhadores, foram características fundamentais de seu governo, que manteve até o fim a austeridade neoliberal defendida de forma homogênea pelo burguesia dependente brasileira.

Outra característica importante do governo Bolsonaro foi a criação e normalização do "orçamento secreto", método de compra de votos de parlamentares através de emendas parlamentares. Tal instituição, até o momento, se mantém como ferramenta de compra de votos, apesar de ter sido limitada e constitucionalizada.

2019

O primeiro ano de seu governo contou com ministros neoliberais que, dando continuidade à agenda neoliberal que seguiu do governo anterior, fizeram descaso com políticas públicas e promoveram o sucateamento das instituições de estado e das empresas estatais.[2] De sua equipe, têm destaque:

  • Paulo Guedes, na Economia - responsável por privatizações e declarações preconceituosas sobre a classe trabalhadora;[3]
  • Abraham Weintraub, na Educação - anunciou cortes de verbas para universidades públicas,[4] incluindo bolsas de mestrados e doutorados. Também foi um grande crítico do sistema de ensino brasileiro, alegando informações falsas sobre o mesmo;[5]
  • Roberto Alvim, na Secretaria da Cultura - além de uma clara apologia ao nazismo ao imitar uma propaganda de Joseph Goebbels, foi um grande promotor do ódio à cultura brasileira em suas falas, que incluíam ataques a artistas nacionais,[6] teorias da conspiração que afirmavam que os Beatles surgiram para implantar o comunismo[7] e crenças no terraplanismo;[8]
  • Ricardo Salles, no Meio Ambiente - desmontou órgãos de fiscalização ambiental,[9] sendo acusado de crimes ambientais[10] e contribuindo para as maiores queimadas na Amazônia;[11]
  • Damares Alves, na pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos - pastora ultraconservadora, é responsável por divulgação de inúmeras informações falsas, declarações extremamente preconceituosas e ainda agiu na perseguição de uma criança, vítima de um estupro, que iria abortar;[12]

O ano foi marcado pela reforma da previdência, que retirou dos trabalhadores diversos direitos referentes a aposentadoria,[13] assim como pela flexibilização e extensão do Micro Empreendedor Individual (MEI),[14] que apesar de ter sido propagandeada pela mídia como "facilitação do empreendedorismo", foi na verdade a criação de uma alternativa de contratação à CLT, utilizada pela burguesia afim de evitar encargos trabalhistas. A consolidação do MEI nos anos subsequentes foi vital para por em prática as flexibilizações permitidas pela reforma trabalhista, mas ainda não reguladas.

2020

A gestão de Bolsonaro em 2020 foi marcada por sua postura em relação à pandemia: o então presidente minimizou a doença, estimulou o contágio,[15] promoveu métodos ineficazes de tratamento da doença[16] e, por isso, foi responsável por mais de 600 mil mortes decorrentes da doença. Sua campanha "Brasil não pode parar", que reprimia o isolamento social, é um exemplo da falha política liberal de seu mandato.

Bolsonaro, em posição negacionista, fez sua campanha contra as vacinas quando afirmava que o Brasil "não seria cobaia" da vacina chinesa,[17] postura abertamente sinofóbica e anti comunista, e reforçando constantemente que todo e qualquer método de imunização seria descartado.[18]

Bolsonaro também ignorou múltiplas oportunidades de comprar vacinas pela Pfizer; foram mais de 100 e-mails da empresa descartados pelo presidente.[19] As alegações de seus apoiadores, de que a demora foi por falta de aprovação da Anvisa, não se sustenta na realidade, sendo divulgados os nomes de técnicos do órgão que aprovaram uso da vacina para crianças.[20]

Em relação ao Ministério da Saúde, o cargo foi ocupado por quatro ministros distintos, ficando vago por duas semanas no decorrer do governo, mesmo o Brasil estando em meio a uma pandemia global; a troca dos ministros acontecia pois os indicados ao cargo, na sua competência de médicos, defendiam métodos eficazes na contenção do vírus, contudo, Bolsonaro alegava que os médicos "não entendiam a questão do emprego",[21] assumindo uma posição anti ciência e anti vacina. Tais demissões foram divulgadas na mídia como "divergências técnicas no combate a pandemia",[22] apesar do aberto negacionismo de Bolsonaro.

2021

Em 2021, os projetos políticos não se alteraram e o presidente fez declarações ainda mais absurdas, no auge da pandemia.[23] A intensificação de seu projeto neoliberal, assim como o fracasso em oferecer qualquer resposta a pandemia, levou a recorde de desemprego, uma crise econômica, enfraquecimento e proletarização da classe média,[24] crescimento da uberização[25] e por fim, a maior taxa de emigração do país em tempos recentes.[26] Nenhum destes processos teve inicio em 2021, mas o aprofundamento da crise neoliberal foi particularmente forte no ano.

2022

O último ano de seu mandato foi marcado por campanhas políticas baseadas em fake news, na ascensão do fenômeno de extrema-direita do bolsonarismo, em ataques às instituições democráticas[27] e em seu total rendimento aos interesses do centrão,[28] ato que repudiou em sua campanha de 2018.[29]

O constante sucateamento das instituições desde o inicio de seu mandato também causou uma crise no Censo de 2022,[30] feito pelo IBGE, atingindo um percentual de erro em torno de 8,3%[31] e causando dano severo na capacidade de planejamento do estado por todo o restante da década.

Mesmo ao utilizar a máquina estatal para diminuir temporariamente o preço dos combustíveis,[32] contribuindo para uma campanha injusta, Bolsonaro perdeu nas urnas e até o momento não reconheceu a derrota.[33]

Crimes

Medidas de expansão do latifúndio

De 2019 a maio de 2022, o governo Bolsonaro entregou cerca de 340 mil títulos de terra sem investimento nos assentamentos para garantir a moradia e o trabalho de camponeses.[34] Como os títulos de terra entregues pelo governo permitem a venda da terra, o latifúndio, que concentra capital, é favorecido com as compras de terras dos camponeses que não conseguem se sustentar.[35] As terras têm origem pública, não sendo resultado de desapropriação, sendo portanto uma medida de repasse de terras públicas para expansão do latifúndio.[36]

Referências

  1. ↑ "“Bolsonaro deu sequência ao que fazíamos”, diz Temer" (2022-01-11). Poder360.
  2. ↑ "Orçamento da Educação sofre corte de R$ 5,83 bilhões". Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES). Acessado 07/02/2025.
  3. ↑ https://www.cnnbrasil.com.br/business/portos-eletrobras-e-correios-veja-destaques-da-agenda-de-privatizacoes-em-2022/
  4. ↑ https://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2019/04/30/mec-cortara-verba-de-universidade-por-balburdia-e-ja-mira-unb-uff-e-ufba.htm?cmpid=copiaecola
  5. ↑ https://educacao.uol.com.br/noticias/2019/11/22/weintraub-ha-plantacoes-extensivas-de-maconha-em-universidades-federais.htm?cmpid=copiaecola
  6. ↑ https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2019/11/07/interna_politica,1099323/roberto-alvim-que-atacou-fernanda-montenegro-e-nomeado-novo-secretar.shtml
  7. ↑ https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/12/rock-incentiva-industria-do-aborto-diz-novo-presidente-da-funarte.shtml#erramos
  8. ↑ https://g1.globo.com/globonews/globonews-em-pauta/video/novo-presidente-da-funarte-que-relacionou-rock-a-satanismo-acredita-que-a-terra-e-plana-8137477.ghtml
  9. ↑ https://oglobo.globo.com/brasil/exoneracao-de-superintendentes-do-ibama-uma-questao-de-alinhamento-com-novo-governo-diz-ministro-23492163
  10. ↑ https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2021/06/23/ricardo-salles-entenda-operacao-contra-exportacao-ilegal-de-madeira-que-mira-ministro-do-meio-ambiente.ghtml
  11. ↑ https://oglobo.globo.com/brasil/inpe-mostra-maior-numero-de-queimadas-na-amazonia-desde-2010-contradiz-video-divulgado-por-salles-mourao-1-24633756
  12. ↑ https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/09/ministra-damares-alves-agiu-para-impedir-aborto-de-crianca-de-10-anos.shtml
  13. ↑ Juca Guimarães. "Reforma da Previdência é aprovada e aposentadoria fica mais difícil para trabalhador" Brasil de Fato. Acessado 07/02/2025.
  14. ↑ "Mudanças para MEIs em 2019". MarketUP. Acessado 07/02/2025.
  15. ↑ https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-diz-que-contaminacao-e-ate-mais-eficaz-que-vacina-contra-covid/
  16. ↑ https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55747043
  17. ↑ https://www.poder360.com.br/coronavirus/bolsonaro-diz-que-brasil-nao-sera-cobaia-da-vacina-chinesa/
  18. ↑ https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/10/21/bolsonaro-cancela-acordo-por-coronavac-nao-abro-mao-da-minha-autoridade.htm
  19. ↑ Talita de Souza. "Lista de e-mails da Pfizer ignorados pelo governo aumenta: são 101 tentativas" Correio Braziliense. Acessado 07/02/2025.
  20. ↑ https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/12/bolsonaro-quer-divulgar-nomes-de-tecnicos-da-anvisa-que-aprovaram-uso-da-vacina-da-pfizer-em-criancas-ckxacpozi000x01886u9o6mf5.html
  21. ↑ Erick Gimenes. "Bolsonaro diz que demitiu Mandetta porque ele não entendeu a "questão do emprego"" Brasil de Fato. Acessado 07/02/2025.
  22. ↑ Anaís Motta. "Mandetta, Teich, Pazuello e Queiroga: os 4 ministros da Saúde da pandemia" Uol Noticias. Acessado 07/02/2025.
  23. ↑ https://www.poder360.com.br/coronavirus/2-anos-de-covid-relembre-30-frases-de-bolsonaro-sobre-pandemia/
  24. ↑ "Crise decorrente da pandemia acelera o declínio da classe média na América Latina e no Caribe". World Bank Group. Acessado 07/02/2025.
  25. ↑ "Número de trabalhadores em aplicativos de entrega de mercadorias cresce quase 1000% em 5 anos, aponta Ipea". Portal de noticias g1. Acessado 07/02/2025.
  26. ↑ Fernando Nakagawa. "Com crise e desemprego, mais de 130 mil brasileiros deixaram o Brasil em 2021" CNN Brasil. Acessado 07/02/2025.
  27. ↑ https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/08/5026493-bolsonaro-ataca-stf-e-desqualifica-carta-em-defesa-da-democracia.html
  28. ↑ https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaro-admite-ter-entregado-parte-do-poder-ao-centrao-165453208.html
  29. ↑ https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/04/4999985-video-mostra-promessa-de-bolsonaro-de-que-nao-negociaria-cargos.html
  30. ↑ "Prévia do censo do IBGE de 2022 expõe ‘tragédia absoluta’ da pesquisa e sucateamento do órgão durante gestão de Bolsonaro, diz ex-presidente do instituto". ICL Notícias. Acessado 07/02/2025.
  31. ↑ "Prévia do censo do IBGE de 2022 expõe ‘tragédia absoluta’ da pesquisa e sucateamento do órgão durante gestão de Bolsonaro, diz ex-presidente do instituto". ICL - Instituto Conhecimento Liberta. Acessado 07/02/2025.
  32. ↑ Daniel Pereira. "As medidas desesperadas de Bolsonaro diante da alta dos combustíveis" Veja. Acessado 07/02/2025.
  33. ↑ "Bolsonaro não reconhece derrota e sai do poder pela porta dos fundos". Veja. Acessado 07/02/2025.
  34. ↑
    “Já a entrega de títulos de propriedade provisórios ou definitivos observou um salto sob Temer, logo após a edição da lei 13.465/2017, que flexibilizou o processo de regularização fundiária, e virou uma febre sob Bolsonaro, que em três anos e três meses de governo entregou 337 mil títulos, um recorde.”

    FolhaPress (2022-05-09). "Bolsonaro transforma reforma agrária em programa de entrega de títulos a assentados" Jornal de Brasília. Acessado 2022-08-28.

  35. ↑
    “Enquanto isso, em razão de alterações legislativas anteriores, o atual governo tem priorizado ou defendido como política apenas a distribuição massiva de títulos individuais, tornando as terras destinadas ao Programa Nacional de Reforma Agrária mais suscetíveis de comercialização. O tema da titulação no âmbito da reforma agrária não é recente, pois a própria Constituição da República estabelece que: “os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária receberão títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de dez anos” (art. 189). No entanto, a partir da Medida Provisória nº 759/2016, convertida na Lei Federal n° 13.465/2017, a titulação individual retornou ao debate público com mais força e tem se convertido no principal objetivo do Governo Federal e do Instituto de Colonização e Reforma Agrária - INCRA. O que fragiliza a reforma agrária na medida em que a aquisição de novas terras não é considerada para continuidade do Programa Nacional de Reforma Agrária, as terras dos assentamentos se tornarão de domínio privado e estarão disponíveis para o mercado, precariza os assentamentos que não mais contarão com os investimentos públicos e inviabiliza o desenvolvimento socioeconômico das famílias assentadas que não contarão mais com os créditos disponíveis para beneficiários da reforma agrária.”

    "Titulação para privatização: o programa Titula Brasil e seus desdobramentos na política fundiária e na reforma agrária" (2021-11-25). Fundação Heinrich Böll.

  36. ↑
    “Na avaliação do MST, o governo Bolsonaro quer distribuir títulos sem cumprir obrigações constitucionais. Entre elas, investimentos em áreas de assentamento para garantir condições de vida para as famílias assentadas, como acesso a moradia, saúde e educação, e crédito para produção e escoamento. Dessa maneira, sem condições de viver e produzir, o assentado acaba vendendo, barato, seu lote para os fazendeiros do entorno que, com a estratégia, estendem seu latifúndio pela região.”

    "MST: Bolsonaro engana sem-terra com títulos ‘fake’ para beneficiar ruralistas" (2022-05-31). Rede Brasil Atual. Acessado 2022-08-28.